Wednesday, August 05, 2015

O dia em que abdiquei de "querer ter razão"




"Ensaio sobre a razão"
Técnica mista sobre MDF (100x100x4cm)


Não foi há muito tempo que abdiquei de "querer ter razão" - seja no que for, trate-se do que se tratar.

Mantenho, no entanto, uma destrinça basilar entre "querer ter razão" e "ter razão" - efectivamente.

Não pretendo, neste texto, "filosofar" sobre a Razão. Já o fiz antes...

Cheguei à conclusão que "querer ter razão" é uma "seca"... É desgastante, enfadonho e não leva a lado nenhum.

Seja lá o que for essa coisa da "Razão", acredito que só o Tempo tem o "Saber" e a Equidistância para a outorgar.

Com efeito, desde esse dia - o dia em que abdiquei de querer ter razão - já não me importa ter razão em coisa nenhuma.

A minha vida tornou-se substancialmente mais simples...

Adoptei uma estratégia tão elementar como infalível: Perante qualquer situação, mais ou menos litigiosa, "ofereço de barato" a dita "Razão" à outra parte...

"Tem razão!..."

Duas palavras apenas...

"Vai à merda!" corresponde ao mesmo, mas é substancialmente mais complicado e acarreta consequências imprevisíveis...

Chamem-me, portanto, "hipócrita", "cínico" ou o que muito bem entenderem.

Direi apenas: "Tem razão!"...




Gonçalo Afonso Dias,

Cascais, 05 de Agosto de 2015


Monday, August 03, 2015

O "Observador" míope ou o estado miserável do jornalismo em Portugal.



Começo com uma "Declaração de Princípios": Não estou "mandatado" nem autorizado pelo Dr. Álvaro Sobrinho (AS), meu cunhado, para quaisquer tipos de intervenções públicas em defesa do seu Bom Nome. Desconfio mesmo que aquilo que se segue não será do seu agrado. Contudo, direi sempre, quando entender, aquilo que penso, assumindo naturalmente as devidas responsabilidades.

Por razões que têm a ver com as nossas vidas pessoais não vejo nem falo com (AS) desde finais de 2014.

"Extinta" a minha relação profissional com o Banco Espírito Santo de Angola (BESA) - uma relação séria e produtiva que durou quase uma década - em 2013, por razões sobejamente conhecidas - (O BESA "afundou-se" com o BES e passou a ser "tóxico"...) os meus contactos com essa instituição tornaram-se "tóxicos" também e eu, como sofro de asma desde os 9 meses de idade, decidi afastar-me de qualquer polémica com ele (o ex-BESA) relacionada, do mesmo modo que me decidi afastar de praticamente tudo aquilo que tenha a ver com as relações entre Portugal e Angola, as notícias ou as atoardas que com isso tenham a ver.

Para preservar o que resta da minha sanidade mental, deixei de ver notícias - na televisão ou nos jornais, fechei a minha conta no facebook e só não vendo as televisões cá de casa pelos meus filhos...

Passei a ouvir rádio, como antigamente... A "Rádio Marginal" ou a "TSF", por sinal.

Porém, de vez em quando, recebo no meu computador (através dos "alertas do google" que há muito activei) notícias relacionadas com as pessoas que me são próximas - a minha família. Isso importa-me e afecta-me.

Hoje, recebi esta... 

Devo dizer que já nada me surpreende neste país que caminha para a total irresponsabilidade - a todos os níveis - e onde se instalou uma espécie de "vale tudo para vender seja o que for - até a mãe...".

A total ausência de valores éticos e morais e a difamação gratuita institucionalizaram-se.

Esta notícia do "Observador" é um "exemplo acabado" daquilo que antes afirmei.

Bem sei que estamos em Agosto e que, neste período, há uma certa escassez de "assuntos que vendam"...

Como não há assuntos, "inventam-se"... Sem qualquer sentido de responsabilidade e sem respeitar os princípios éticos e deontológicos a que o exercício do jornalismo - como tantos outros - está obrigado.

A notícia em causa "quer passar" a ideia de que o Dr. Álvaro Sobrinho, num kafkiano requinte de malvadez e vingança, comprou uma casa em frente à do seu "ex-patrão", agora  incompreensivelmente sujeito a medidas de prisão domiciliária tão extremas quanto ridículas) num gesto de "medição de forças", "ajuste de contas", ou de um infantil gozo de chegar à janela e acenar dizendo: " Tás aí meu sacana?! -  Eu estou aqui, à tua frente e até estou a fazer obras na casa para te "meter nojo"...

Se a notícia não fosse tão triste e decadente, tão falsa e (porque não dizê-lo?...) repugnante, ainda "dava para rir... Mas não dá.

O artigo do "Observador Míope" alega ainda (que ingenuidade!) testemunhos de algo utópico - os vizinhos - sem contudo referir quem são... Uma espécie de "abstracção"...

Eu também tenho vizinhos "ilustres" e um deles até é ministro e, às vezes, vejo-o no "Meu Super" aqui ao pé de casa.

Por acaso também estou a fazer algumas obras. Portanto, segundo a lógica cretina do "Observador", se eu fosse um "notável", ter-me-ia mudado para a casa onde vivo há uns anos apenas para infernizar a vida desse ministro...

O que mais me impressiona neste "jornalismo de esterco" - desculpem a expressão - não é tanto a facilidade como editam notícias sem qualquer fundamento ou sem se terem dado ao trabalho (primário e obrigatório em "gente de bem") de investigar, de confirmar as ditas "fontes", de averiguar os factos. Parece sair tudo da "mesa da cozinha" depois de deglutida uma garrafa de "Muralhas" a acompanhar um prato de caracóis...

Para acabar, porque já estou a ficar com urticária - acontece-me sempre que me refiro ao "esterco", devo dizer duas coisas:

Desde logo conheço aquela casa há alguns anos - bastantes.

Depois, pergunto aos (aos) mentecaptos, autores da referida peça jornalística se não avaliaram as seguintes hipóteses teóricas:


1- Não estará o Dr. Álvaro Sobrinho a fazer obras na casa porque lhe apetece?

2- Não estará o Dr. Álvaro Sobrinho a fazer obras na casa porque está farto da "vizinhança"?...

3- Como homem de negócios que é não estará o Dr. Álvaro Sobrinho a valorizar o imóvel para eventualmente procurar uma atmosfera menos poluída?

Há! Pois!... Não pensaram nisso e a "coisa" pega-se"...





Ou, se calhar, até pensaram mas, coitados, têm de respeitar a "voz do dono" e os ditames do mercado...

Lamentável...

Deprimente, diria...

Para onde caminha este país onde parece haver uma séria e renhida disputa pela cretinice e pela mentira entre os políticos, os média e toda essa cambada de energúmenos iletrados, imberbes e inconscientes?







Gonçalo Afonso Dias,

Cascais, 03 De Agosto de 2015